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Operação e Cuidados com Papel e Impressão em Dias de Chuva

4 de set.
4 min de leitura
Impressora branca sobre mesa de madeira, ao lado de pacotes, em escritório com janelas chuvosas e vista urbana cinza.

A Física da Higroscopia: Como a Umidade Relativa do Ar Causa Paradas em Impressoras Corporativas e Como Blindar sua Operação e o papel em dias de Chuva


Em períodos de chuvas constantes e frentes frias (eventos frequentes no Paraná que elevam a umidade relativa do ar acima de 80%), os chamados de suporte técnico relacionados a impressoras multifuncionais registram aumentos repentinos em setores de faturamento e expedição.


O sintoma mais frequente relatado pelas equipes operacionais é o atolamento mecânico de papel e a formação de rugas ou impressões foscas.


Ao contrário do que supõe o senso comum, na vasta maioria das ocorrências o problema não decorre de defeitos mecânicos ou quebra de engrenagens do equipamento, mas da alteração nas propriedades físico químicas do papel causada pelo fenômeno da higroscopia (Papel em dias de chuva).


A degradação física da folha ocorre em etapas bem definidas:

  1. A fibra de celulose porosa entra em contato com ambientes com umidade relativa superior a 65%.

  2. Os poros do papel absorvem rapidamente as moléculas de vapor de água presentes no ar.

  3. Ocorre dilatação volumétrica e perda da rigidez longitudinal da folha.

  4. Gera-se uma aderência superficial mecânica entre as folhas empilhadas na gaveta.

  5. Os roletes de alimentação puxam duas folhas grudadas simultaneamente ou a folha dobra-se de forma irregular ao passar pela unidade fusora.


A celulose de fibra curta de eucalipto, base do papel corporativo nacional, possui pontes de hidrogênio livres que interagem intensamente com a água. Quando a umidade relativa ultrapassa os níveis normais, a folha perde a rigidez necessária para vencer as guias internas do equipamento, provocando paradas mecânicas.


A Interferência da Umidade no Processo Eletrofotográfico e de Fusão Térmica


Nas impressoras corporativas a laser, a formação da imagem e a fixação do texto dependem de parâmetros físicos precisos:

  • Transferência Eletrostática Comprometida: A impressora a laser utiliza cargas eletrostáticas para atrair as partículas de toner para o papel. A água é uma substância condutora: quando a folha está saturada de umidade, a resistividade elétrica do papel despenca. A carga eletrostática dispersa-se através da folha antes que o toner seja totalmente atraído, resultando em impressões com falhas de contraste, manchas brancas, áreas acinzentadas e códigos de barras ilegíveis em etiquetas fiscais.

  • Choque Térmico na Unidade de Fusão: Para fixar o pó plástico de toner sobre a celulose, o fusor da impressora opera entre 180 e 210 graus Celsius sob alta pressão mecânica. Ao passar uma folha úmida por esse ponto, a água retida entra em ebulição instantânea, virando vapor sob pressão. Essa vaporização repentina provoca a contração assimétrica das fibras, resultando em folhas fortemente enrugadas, dobradas ou enroladas em forma de canudo, além de condensar água sobre os sensores ópticos do equipamento.


Diretrizes Técnicas de Armazenamento: ABNT NBR NM ISO 187


A norma técnica ABNT NBR NM ISO 187 (Papel, cartão e pastas para acondicionamento e ensaios) define como padrão de integridade para derivados de celulose uma atmosfera climatizada a 23 graus Celsius (com tolerância de 1 grau) e umidade relativa de 50% (com tolerância de 2%).


Em galpões logísticos, indústrias e escritórios sem controle rígido de climatização, as equipes devem adotar quatro procedimentos práticos para blindar a operação em dias de chuva:


1. A Regra do Lacre Protetor


As embalagens das resmas comerciais de fabricantes de qualidade possuem uma película interna impermeável contra vapor de água.

  • As resmas devem permanecer rigorosamente lacradas nas caixas até o momento exato em que forem abastecidas na gaveta da impressora.

  • É contraindicado abrir múltiplos pacotes de papel no início da semana para deixá-los empilhados sobre mesas ou balcões abertos.


2. Isolamento Contra Pisos e Alvenaria


O papel nunca deve ser estocado em contato direto com o chão de concreto ou encostado em paredes. A umidade que se acumula na alvenaria e no solo penetra pelas caixas de papelão corrugado.

  • O estoque deve ser acondicionado sobre paletes de madeira seca ou prateleiras metálicas.

  • Deve-se manter um distanciamento mínimo de 15 centímetros em relação ao piso e 50 centímetros de afastamento das paredes perimetrais.


3. Protocolo de Fechamento de Turno


No final do expediente, principalmente em noites com previsão de temporal ou antes de finais de semana:

  • O operador deve abrir as bandejas da impressora e recolher as sobras de papel expostas.

  • O lote restante deve ser guardado na embalagem original lacrada com fita ou colocado em sacos plásticos com fecho hermético.

  • Esse procedimento impede que o papel absorva a umidade pesada da madrugada, evitando que a primeira impressão do dia seguinte trave a máquina.


4. Aeração Manual do Papel (Fanning)


Antes de abastecer a gaveta da multifuncional, o colaborador deve folhear o maço de papel:

  • Segura-se o bloco de aproximadamente 100 a 150 folhas pelas pontas opostas.

  • Flexiona-se o maço suavemente em arco para os dois lados, fazendo o ar circular entre as páginas.

  • Essa ação simples desfaz a aderência superficial por umidade e a eletricidade estática acumulada, permitindo que o rolete de borracha puxe folha por folha sem alimentação dupla.


O Papel do Hardware Profissional


Equipamentos corporativos fornecidos no outsourcing da Docutech contam com guias mecânicas de alta precisão e roletes de tração fabricados com elastômeros especiais que mantêm alto índice de atrito, mesmo em condições adversas de umidade.


Além disso, multifuncionais de grande porte contam com resistências de desumidificação instaladas nas gavetas de alimentação de fábrica, elevando ligeiramente a temperatura interna para repelir a condensação de água sobre a celulose.


A aplicação das regras de manuseio do papel somada à utilização de equipamentos profissionais garante que a expedição, o faturamento e as rotinas corporativas da sua empresa no Paraná continuem operando em máxima capacidade, sem interrupções mecânicas em períodos chuvosos.



Não somos os maiores, mas somos os melhores. Desafie-nos.



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